Se eu pudesse, te prenderia nos meus braços e não deixava mais. Te guardaria em uma garrafa e beberia em pequenos goles, para não acabar. Te esconderia dentro da gaveta do meu criado-mudo, para que só eu pudesse te ter, e ninguém mais.
Se eu pudesse, te abriria o mundo para que conhecesses todas as pessoas e todas as coisas. E te levaria em todos os lugares, onde dançaríamos todas as músicas e comeríamos todas as iguarias. E te mostraria tudo o que já conheci e veria tudo o que me mostrasse. Teríamos todos os momentos em nossas mãos, memórias. Em nossas almas.
Se eu pudesse, te ensinaria a voar alto. E deixaria que tu fosses aonde quisesses, com a certeza de que logo mais, quando o cansaço atingisse teus olhos e músculos, retornarias para nosso ninho. Te daria a segurança de que poderias caminhar teus caminhos e eu estaria ao lado – ou esperando, por perto – para sempre que precisasses.
Se deixasses, te faria o homem mais feliz, aonde quer que fossemos. E seríamos assim, amigos, amantes, cúmplices. Se sorrisses, farias de mim a mulher mais feliz, apenas por existir. Se fôssemos plural, seríamos completude, singular por sermos dois, mas um. E ainda assim faríamos sentido para quem quer que visse. Porque não é preciso sentido. É preciso sentir. Apenas.
Se... se não é apenas vagas possibilidades improváveis. Se é desejo, é vontade. Se é ímpeto de mudar, com medo de passos em falso e quedas. Se é sonho.
