quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Se


Se eu pudesse, te prenderia nos meus braços e não deixava mais. Te guardaria em uma garrafa e beberia em pequenos goles, para não acabar. Te esconderia dentro da gaveta do meu criado-mudo, para que só eu pudesse te ter, e ninguém mais.

Se eu pudesse, te abriria o mundo para que conhecesses todas as pessoas e todas as coisas. E te levaria em todos os lugares, onde dançaríamos todas as músicas e comeríamos todas as iguarias. E te mostraria tudo o que já conheci e veria tudo o que me mostrasse. Teríamos todos os momentos em nossas mãos, memórias. Em nossas almas.

Se eu pudesse, te ensinaria a voar alto. E deixaria que tu fosses aonde quisesses, com a certeza de que logo mais, quando o cansaço atingisse teus olhos e músculos, retornarias para nosso ninho. Te daria a segurança de que poderias caminhar teus caminhos e eu estaria ao lado – ou esperando, por perto – para sempre que precisasses.

Se deixasses, te faria o homem mais feliz, aonde quer que fossemos. E seríamos assim, amigos, amantes, cúmplices. Se sorrisses, farias de mim a mulher mais feliz, apenas por existir. Se fôssemos plural, seríamos completude, singular por sermos dois, mas um. E ainda assim faríamos sentido para quem quer que visse. Porque não é preciso sentido. É preciso sentir. Apenas.

Se... se não é apenas vagas possibilidades improváveis. Se é desejo, é vontade. Se é ímpeto de mudar, com medo de passos em falso e quedas. Se é sonho.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Expectativas

Quisera eu encantar-me contigo por um dia
Ver-te nos palcos da vida e nada mais
Quisera sabre-te mas não me lembrar
Por que és tão surpreendente?

Um olhar que diz tudo
Alma de um artista livre
Olhos de dor e esperança sobre o mundo
Interpretações do que sinto
Feitas pelas tuas mãos

Devo conter-me?
Contentar-me com teu nome e rosto
A olhar-me numa tela fria?
Não tens interesse em saber
Quem é essa que te admira?

Poema de um fim de semana
Que inundou os meus dias
Não deixa que teus olhos esqueçam
Quem confessou te querer
E até pensou que podia


06*11*2006

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eros

E, então, já não havia mais inspiração.Ele se esforçava, mas cada frase escrita era apagada em seguida. Cada folha rabiscada acabava embolada no meio do chão do quarto. Nada parecia bom.

Seus olhos caminhavam pelo ambiente sem encontrar o que procuravam. Não estava lá. Não estava na geladeira, no armário do banheiro, no bar do canto da copa, nem sequer na bela paisagem vista da janela da sala.

Música, silêncio. Sala, quarto, varanda. Manhã, tarde, noite. Folhas vazias.

Ah, áureas épocas em que tudo era poesia, em que seus olhos viam letras aonde quer que miravam, em que seus deslizavam no papel folha a folha, sem dificuldade de preenchê-las com sua miúda grafia negra. Há tanto tempo não conseguia que já começavam a desvanecer as memórias daqueles momentos.

Apenas uma palavra ecoava em sua mente. A tradução de toda a sua agonia e a explicação para tantas palavras vazias. Aquela incompletude do seu ser, a falta.