Muitos poetas, cientistas e filósofos já ousaram falar de sentimentos. Todos o fazemos. Me deparei, há pouco tempo, com uma pergunta sem destinatário próprio na vasta rede virtual que nos aproxima. Pede-se uma forma de se descrever um sentimento.
Não darei esta forma, não creio que haja. Um sentimento é a forma mais pura e simples de provarmos que vivemos. Geralmente tentamos explicar um sentimento através de outros, na tentativa de somar várias sensações para se aproximar de uma única e singular. Nesta tentativa, acabamos por expressar algo diferente do que realmente estamos sentindo e o outro acaba por interpretar o que expressamos de uma terceira forma, pois não sente o mesmo ao mesmo tempo.
Sentimentos são únicos, individuais e intransferíveis. Não posso fazer com que experimentes a minha felicidade ou a minha agonia. Descrevê-las poderá te aproximar do que sinto, mas nunca te proporcionará o exato sabor do que provei. Sentimentos não têm fórmulas químicas, capazes de reproduzir metodica e milimetricamente aquilo que se passa em mim, para ti. Nem mesmo gestos, olhares, toques são capazes de expressar sem que haja risco de uma nova interpretação surgir.
Sinto. Digo. Ouves. Sentes. Na esperança de que eu seja entendida e que tua interpretação se aproxime do que tenho em mim, digo apenas que sinto saudade.
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