"Família é um negócio complicado
Quem não gosto mora ao lado e mais velho mora só.
Pois traga um colchão aqui pra sala.
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?"
(O Teatro Mágico)
Feriado. Frio. Um encontro de família num isolado sítio na Serra do Cipó,
A ansiedade era grande, tinha a sensação de que ia ser interessante, peculiar, divertido, cheio de boas surpresas. Bagagens no carro, pneus calibrados, mapa. Sem internet, sem celular, sem interferências do mundo moderno.
A recepção calorosa dos “novos primos” já era uma pequena amostra do que viria pela frente. Cerveja, fogueira, cerveja, churrasco, cerveja, frio, cerveja, conversa, cerveja, conversa, cerveja, conversa, cerveja, fotos, paisagens maravilhosas, casos de família, vexames alcoólicos, novos primos, velhos amigos. Ao amanhecer do domingo, quando todos se preparavam para encerrar aquele feriado espetacular, o sentimento já era de saudade daquela família que haviam acabado de conhecer, e todos sentiam como se sempre houvessem convivido todos juntos, desde sempre.
Palavras? Já não cabiam de tantas que eram e, ao mesmo tempo, não existiam para agradecer à iniciativa, exprimir a alegria e explicar a quem não foi. Simplesmente inesquecível, inestimável, inigualável.
E após quatro dias de convivência, ou apenas algumas horas com alguns, o sentimento de serem parentes pernetas, carentes de parte de tão grande família, já não existia mais. Os ex-pernetas agora possuem corpo completo, apesar de considerarem que o lugar correto para acomodar seus novos parentes não seja um membro, mas sim um órgão pulsante no lado esquerdo do peito.
PS: Gostaria de agradecer imensamente a todos que se mobilizaram para que o reencontro da família Andrade acontecesse. Uma lacuna foi preenchida com o melhor de uma família, que não quer mais que os anos e os quilômetros distancie.
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