quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Primavera

Ela chegou tardia para mim. Foi preciso que as cigarras a anunciassem dias antes, que a chuva caísse e que a grama, já verde, se renovasse sob meus pés. Foi necessário mais de uma tempestade, mais de um jardim em flor e muito mais que um calendário para que eu sentisse que a primavera renovadora havia chegado.
Enfim, ela se fez notar. Após alguns meses de frio, vazio e ausência de vida, ela me trouxe de volta um céu azul, um olhar para o horizonte e um sorriso nos lábios. Foi preciso que me voltasse aos olhos a magia da infância.
Ela veio calma, em um dia bonito de temperaturas amenas. Chegou de mansinho e se aconchegou em meus braços como tantas outras vezes já fez. Trouxe com ela aqueles que sempre a acompanham quando vem me visitar, a renovação, o sorriso, o brilho nos olhos, a tranquilidade, a sensação de ser capaz de tudo. Ela chegou com promessas de ficar por uma longa temporada e, apesar de velha conhecida, se apresentou com a mesma serenidade de sempre: muito prazer, sou a esperança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário após o beep: beeeeep!