"And in the end the love you take is equal to the love you make"
Os relacionamentos de hoje são tratados de forma muito descartável, substituível. Antes que você, leitor, me atire uma pedra na cabeça enquanto esbraveja “E você é de que época, do século XIX?!”, explico-me.
Houve uma época, que nem está tão distante assim, em que as pessoas se apaixonavam à primeira vista, sem sequer conhecer o ser amado. Com poucas informações sobre a mulher, o homem mandava-lhe flores, escrevia-lhe poemas e dedicava-lhe canções. Era capaz de encarar uma briga pela honra da amada sem nunca terem trocado cumprimentos. A mulher, por sua vez, suspirava e sonhava com o homem que havia lhe despertado o coração com uma única dança. Era capaz de simpatias, artimanhas e mesmo mentiras para trazer para perto de si o amado.
Se o casal se separava por desavenças ou diferenças, não havia pudor em pedir perdão, fazer serenata, ajoelhar-se aos pés, escrever cartas e cruzar estradas para devolver ao coração a tranquilidade do amor reconquistado. Tudo era permitido para manter a união do casal, por amor
Com a cultura individualista e narcísica em que vimos sendo mergulhados ao longo do tempo, já não damos mais tanto crédito ao que sentimos pelo outro, visto que o que sentimos por nós mesmo é o que não pode ser abalado. Já não podemos nos ajoelhar frente à pessoa amada, pois a humilhação a que se sujeitaria fala mais alto no coração apaixonado por si mesmo. “Se ele não me quer, tem quem queira.” Já não existem as almas gêmeas, as cara-metades, os feitos um para o outro. Qualquer amado pode ser substituído, esquecido, superado.
Agora meu caro leitor dirá “é uma romântica tresloucada, sem amor próprio, que não se dá o devido valor”. E eu responderei dizendo que o romantismo está naqueles que amam o outro não por oferecer-lhe o que pede e procura, mas por oferecer-lhe aquilo que sequer sabia que precisava. Meu amor próprio é suficiente para me fazer acreditar que eu mereço mais do que uma peça que encaixe em meu corpo perfeitamente e divida comigo as responsabilidades de uma família, mas um coração que se encaixe no meu. Ele é suficiente para que eu saiba que entregar-me ao amor não é sinal de fraqueza, mas sim de certeza de que o afeto que nos cerca é aquilo que realmente dá valor à nossa vida.
Que lindo, Clá. Tenho que confessar. Sou do século XX mas com a alma e o coração nas serenatas, cartas e paixões à primeira vista. E viva o romantismo. Bjos, Carol :)
ResponderExcluirCaraca, muito bom!!!! pena que ainda não descobri de que século sou!
ResponderExcluirbjos kk e ficou muito bom!