Comecei passando por cada lugar devagar, a passos lentos, observando cada detalhe, apreendendo cada momento. Com o tempo, fui acelerando o passo, deixando coisas que talvez precisaria à frente ficassem perdidas para trás, esquecidas. Coisas que não foram para a agenda.
Aos poucos fui andando, sem parar, bebendo das nascentes que encontrei, comendo as frutas colhidas enquanto passava, apressadamente, pelos caminhos tortuosos e acidentados. Registrei tudo o que pude, fotografias, filmes e relatos gravados na memória. As pedras, os galhos e os buracos que pela frente encontrava, superava.
Mas o corpo perece, a mente se enfraquece e o espírito pesa. De repente, o vigor do início do caminho parece sem cor, sem brilho. Posso sentir o gosto do sangue das batalhas, o suor das vitórias. O corpo pesa, a mente perece e o espírito se enfraquece. Dói. Cada músculo, cada articulação, cada vértebra clama por um instante de sossego. O corpo se enfraquece, a mente pesa e o espírito perece.
Mas eis que, através da mata fechada, ao buscar uma réstia de sol, um último respirar, levanto o rosto e avisto, entre as folhas, aquele azul que há muito não via. Um azul de tal intensidade que cega. A luz alcança minha face, molha meus olhos sensíveis de lágrimas de esperança. Encho os pulmões para seguir adiante.
Assim é a busca por um sonho. No início, passos largos e sorrisos acompanham a certeza do sucesso. Aos poucos esta certeza se afasta e o que restam são arranhões, feridas, dúvidas, desilusões. Seguir adiante significa tratar as feridas, encontrar alternativas, se alimentar do que encontra. Para então, com cicatrizes e recompensas, poder ter histórias para contar às futuras gerações. Poder dizer que buscou e alcançou seus sonhos, sem desistir do que levava no coração.
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