"I saw your face in a crowded placeAnd I don't know what to do'Cause I'll never be with you"
Ruas movimentadas. Pessoas apressadas. Na dinâmica capital, as pessoas raramente se detém diante de alguma coisa. Quando o fazem, é frente a uma vitrine, um sinal vermelho, uma incômoda espera pelo elevador.
Mas há alguns momentos em que nos detemos diante de algo muito especial: um olhar. Esse pequeno instante em que o tempo parece congelar e que nada mais importa é mágico.E como nas comédias românticas, a iluminação difusa diminui, uma leve brisa dá movimento aos cabelos e o rosto se torna o mais iluminado do ambiente.
Normalmente, esse momento não dura mais que 15 segundos. Dez, talvez. Apenas um instante. Provavelmente, nunca mais se verão. E no momento seguinte, quando os olhos já não mais se alcançarem, quando a contagem do tempo voltar ao normal, os dois se perguntarão se o que aconteceu foi real.
Por um instante, haverá um desejo de correr em direção ao outro, perguntar-lhe o nome e saber sua história. Mas esse impulso será rapidamente tomado pela realidade e considerado insensatez. Olhando para trás, um já não avistará o outro, que manteve seu caminho. Mesmo paralisado naquele olhar.
A vida seguirá seu curso, mas na lembrança perdurará por um tempo ainda a magia e a entrega daquele breve instante em que trocaram olhares. Dois desconhecidos.
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