E se antes escrevias cartas nunca enviadas, cujos destinatários estariam sempre ocultos em teu coração, hoje já não encontras a quem enviá-las.
E se o vias por trás dos olhos, em clareza e nitidez, hoje já não sabes quem é.
Ah, coração que já não sabes! Não permitas que, endurecido, não aceite mais hóspedes ou inquilinos. Não permitas que aqueles que te batem à porta não possam senão espiar pela janela.
Permite que tua poesia volte a ter dono, que tua luz ilumine ainda outros olhos para que tua dança não seja sempre um último tango de adeus.
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