domingo, 9 de dezembro de 2012

Amanheci sem vontade


Amanheci com vontade de você. Vontade daqueles domingos frios em que não saíamos da cama, apenas nos enroscávamos pra esperar a vida passar sem pressa. Lembro-me que, nesses dias, você nos fazia torradas e suco de laranja fresco e voltava pros meus braços te esperando nos lençóis. Bons eram os nossos dias. Eram só nossos.
Amanheci ouvindo a nossa música, querendo que você me tirasse pra dançar na sala, com as janelas abertas, para provocar a inveja dos vizinhos pelo nosso amor perfeito e completo. Você costumava rodopiar devagar, querendo ir rápido mas com medo de trombar nos móveis. Era sempre assim em tudo. Queria a velocidade, a intensidade, mas sempre tinha medo do que estaria no meio do caminho.
Fiz um café e voltei pra minha cama, que também já se considerava sua. Ela sempre reclamava das noites que você não podia ficar e foi difícil fazê-la entender que você não viria mais. Ela sempre se esfriava e me expulsava mais cedo do que eu gostaria. Hoje, ela me chamou de volta. Fizemos as pazes.
E, talvez por já não esperar nada, passou a vontade. A música acabou e não quis colocá-la para repetir. O paladar aceitava muito melhor o café do que o suco de laranja. Dividimos nosso espaço e conforto com um livro que você nunca leria e assim passamos a manhã, cama, livro e eu. Sem vontade.

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