Amanheci com vontade de
você. Vontade daqueles domingos frios em que não saíamos da cama,
apenas nos enroscávamos pra esperar a vida passar sem pressa.
Lembro-me que, nesses dias, você nos fazia torradas e suco de
laranja fresco e voltava pros meus braços te esperando nos lençóis.
Bons eram os nossos dias. Eram só nossos.
Amanheci ouvindo a
nossa música, querendo que você me tirasse pra dançar na sala, com
as janelas abertas, para provocar a inveja dos vizinhos pelo nosso
amor perfeito e completo. Você costumava rodopiar devagar, querendo
ir rápido mas com medo de trombar nos móveis. Era sempre assim em
tudo. Queria a velocidade, a intensidade, mas sempre tinha medo do
que estaria no meio do caminho.
Fiz um café e voltei
pra minha cama, que também já se considerava sua. Ela sempre
reclamava das noites que você não podia ficar e foi difícil
fazê-la entender que você não viria mais. Ela sempre se esfriava e
me expulsava mais cedo do que eu gostaria. Hoje, ela me chamou de
volta. Fizemos as pazes.
E, talvez por já não
esperar nada, passou a vontade. A música acabou e não quis
colocá-la para repetir. O paladar aceitava muito melhor o café do
que o suco de laranja. Dividimos nosso espaço e conforto com um
livro que você nunca leria e assim passamos a manhã, cama, livro e
eu. Sem vontade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário após o beep: beeeeep!